Tuesday, October 11, 2011

Poesia Minha - Vida em degelo

























Vida em degelo

uma aresta gigantesca de gelo

emerge do fundo ermo do mar

rasga com o corpo o ar frio e seco

ajusta-se ao seu leito desigual

encara o sol da meia-noite indiferente

flutua dura e cega aresta de água e sal

dissolvendo-se em regresso

é só um fantasma banal

do nosso longo epílogo lento

uma imensa lápide em branco

um Titanic às avessas

não há nada

por trás do seu silêncio

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