Sunday, April 08, 2012

Lô Borges - O que aconteceu com o Clube da Esquina?

Um disco cheio de faixas curtas, muitas delas completamente anti-convencionais em termos de arranjos e de letras. No ar, o clima pesado do Brasil no começo dos anos 70. O disco do tênis é coisa rara, desde sempre, em música popular: um bando de músicos jovens [e bons músicos] se reúnem para fazer música sem querer copiar isso ou aquilo. Essa faixa talvez seja das mais convencionais, apesar de tão curtinha. Por que Milton Nascimento, Lô Borges e Beto Guedes nunca mais fizeram coisas nem remotamente tão interessantes? Suponho que eles mesmos prefiram a baba doce que cobre muito dos seus discos a partir dos anos 80. Se é mesmo verdade que é em Minas que o caldo engrossa, alguém devia acertar o ponto desse doce de novo. São escolhas: que tipo de velhinho você quer ser? Bob Dylan fazendo discos surpreendentes de tempos em tempos até hoje ou Mick Jagger rebolando em Davos?

Não Se Apague Esta Noite

Eu queria levar você, ao deserto sem nome
Por favor não se apague esta noite
Você tem que provar o meu sangue

Seja o touro e a rosa
Seja o pão e a fome

Eu queria levar você para além dos caminhos
E andar com você pela noite
Me deitar com você no meu sangue

Eu preciso dormir em paz
Como o touro e a rosa
Eu preciso levar você
E dizer que te amo

5 comments:

sabina anzuategui said...

que interessante, eu não conhecia.

lembra um pouco mutantes, até.

Paulodaluzmoreira said...

É um disco sensacional, Sabina, mais ou menos contemporâneo do famoso Clube da Esquina [o primeiro].

Anonymous said...

O que estragou esses caras foi ter ficado em Minas. Eta lugarzinho difícil!
Tata Marques.

Anonymous said...

No meu ponto de vista não aconteceu nada e tudo
primeiro: é preciso pensar que os caras estavam começando, como músicos e como compositores
segundo: o tempo passa e muitas vezes pensamos que conhecemos esses caras, por que em algum momento fizeram coisas que gostamos
basta pensar em tantos outros artistas que em algum momento tomaram outros rumos
mas aqui entre nós: existe um dilema para o músico, pois se repete a fórmula reclamam, que não faz nada novo, perdeu a mão;
se faz alguma coisa diferente do que fazia, também criticam
então vamos lá, é ouvir os discos e perceber que no trabalho do lô borges por exemplo, até hoje tem coisa boa
os seus ultimos discos são ótimos, basta ouvir!

Paulodaluzmoreira said...

Vou conferir, anônimo, é a segunda pessoa que me recomenda os últimos discos do Lô.
Tata, eu acho que ficar ou não em MG não foi definitivo para eles. O Milton saiu e ele [que é um músico sensacional] também - na humilde opinião - nunca mais chegou perto dos primeiros discos por um certo convencionalismo nos arranjos e nas letras e um certo baladismo exagerado nas composições.