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O melhor invisível

O Brasil continua a produzir música popular interessante. Só que ela nunca vai tocar na Grobo. Um exemplo do melhor de Belo Horizonte é a banda Graveola e o Lixo Polifônico. Tudo deles está aqui. Compartilho uma canção do primeiro disco deles de 2009. 

Amaciar Dureza
Graveola e o Lixo Polifônico


E viveu uma semana,
foi-se o ano, foi-se Ana,
destinada a caminhar os seus passados lentos.
Sem trabuco, sem trambique,
Ana ia com seu pique,
seu destino a transitar, sertão, cantiga e vento.
Ela foi um desacato,
um descarrego, tantos regos
refletindo seus momentos, santos sentimentos.

Ela não podia crer nos deuses:
Madre Pedra, Padre Zé.
Na lua viu jornadear
lua de sonho, lua de vida.
Por onde passou sentiu o seu destino
amargurado, pequeno, coitado, calado, jorrado,
seus mimos, seus sinos, seus anos passados.
Na vida amaciar dureza.
Na vida amaciar...

E viveu uma semana.
Era Ana, eram anos
Quanta vida enclausurada nesse mundo tempo
Era a cor dos seus cabelos,
tantos erros, tantos zelos.
Vida a passar os momentos deglutindo ventos

Ela só podia crer num Deus:
sai da igreja, resta a fé.
Jornadas viu sob o luar.
Sonho de lua, vida de lua.
Por onde passou, sentiu o seu destino
despedaçado, atado, vidrado, trincado, cortado,
seus vícios, seus mortos, seus caminhos tortos.
Na vida, amaciar dureza
Na vida amaciar...

A gravação original:

Ao vivo, numa versão bem diferente da de estúdio:

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