Skip to main content

You're So Paranoid You Probably Think This Essay Is About You

Aprendendo muito com a leitura de Touching Feeling: Affect, Pedagogy, Performativity (2003) de Eve Sedgewick, principalmente com "Paranoid Reading and Reparative Reading, or, You're So Paranoid You Probably Think This Essay Is About You".

Uma questão premente: se você escreve almejando relevância política/cultural, como escrever efetivamente? Para Sedgewick trata-se de escrever afetivamente com a intenção de buscar formas de reparar danos e propor alívios possíveis. 

Qual a chave para tentar escrever assim? Primeiramente escrever sem medo de escorregar e cair. Sem medo de errar feio e se expor ao ridículo. 

Sem coragem para se expor, nos rendemos à paranóia. E assumindo uma perspectiva paranóica, sonhamos com uma voz poderosa que se levanta indestrutível e incontestável - "lacradora". Essa voz pensa seu papel cultural como um elementor desmistificador: revelando verdades e mentiras, separando o joio do trigo, iluminando o caminho das pedras. 

A voz paranóica é, na melhor das hipóteses, um pastiche da voz do poder. Assim sendo, apenas se junta ao coro monótono do GRANDE PAI.

Comments

Acho que perdemos a voz não paranoica, a afetiva. Perdemos a língua como num repeteco trágico da historinha da Torre de Babel. humm?
O que o texto também dizia [e eu ainda estou digerindo até hoje] era que havia uma posição paranóica e uma outra, centrada no trabalho reparativo. Só que a posição paranóica, hegêmonica, costumava desprezar a posição reparativa como "meramente estética e reformista". Dizia ainda ela que a posição paranóica era marcada pelo medo do erro e da inesperado, olhando para o passado como um trauma e para o futuro como fonte de ansiedade.

Popular posts from this blog

Protestantes e evangélicos no Brasil

1.      O crescimento dos protestantes no Brasil é realmente impressionante, saindo de uma pequena minoria para quase um quarto da população em 30 anos: 1980: 6,6% 1991: 9% 2000: 15,4%, 26,2 milhões 2010: 22,2%, 42,3 milhões   Há mais evangélicos no Brasil do que nos Estados Unidos: são 22,37 milhões da população e mais ou menos a metade desses pertencem à mesma igreja.  Você sabe qual é? 2.      Costuma-se, por ignorância ou má vontade, a dar um destaque exagerado a Igreja Universal do Reino de Deus e ao seu líder, Edir Macedo. A IURD nunca representou mais que 15% dos evangélicos e menos de 10% dos protestantes como um todo. Além disso, a IURD diminuiu seu número de fiéis   nos últimos 10 anos de acordo com o censo do IBGE, ao contrário de outras denominações, que já eram bem maiores. 3.      Os jornalistas dos jornalões, acostumados com a rígida hierarquia inst...

Poema meu: Saudades da Aldeia desde New Haven

Todas as cartas de amor são Ridículas. Álvaro Campos O Tietê é mais sujo que o ribeirão que corre minha aldeia, mas o Tietê não é mais sujo que o ribeirão que corre minha aldeia porque não corre minha aldeia. Poucos sabem para onde vai e donde vem o ribeirão da minha aldeia, 
 que pertence a menos gente 
 mas nem por isso é mais livre ou menos sujo. O ribeirão da minha aldeia 
 foi sepultado num túmulo de pedra para não ferir os olhos nem molhar os inventários da implacável boa gente da minha aldeia, mas, para aqueles que vêem em tudo o que lá não está, 
 a memória é o que há para além do riberão da minha aldeia e é a fortuna daqueles que a sabem encontrar. Não penso em mais nada na miséria desse inverno gelado estou agora de novo em pé sobre o ribeirão da minha aldeia.

Os godos e o engodo racial em Machado de Assis e Lima Barreto

Muita gente acha que questões raciais estão ausentes da literatura brasileira mais antiga porque não sabe ver. Trago aqui dois exemplos clássicos, de mais de cem anos, de discussão certeira sobre as falácias do embranquecimento e da valorização da cor branca no Brasil. Os dois exemplos se apoiam num mesmo termo racial, usado de modo sarcástico, em Machado de Assis e em Lima Barreto: "godo", que se refere às tribos bárbaras [ostrogodos e visigodos] que invadiram e tomado entre partes do império romano como a península ibérica e a Itália, vira um sinônimo irônico para branco nos dois textos. Machado de Assis com a ironia fina peculiar lista entre as "moléstias mentais" diagnosticadas por Simão Bacamarte em "O alienista"não apenas a mania do embranquecimento, mas também a hipócrita cegueira a respeito dessa mania: "Alguns cronistas crêem que Simão Bacamarte nem sempre procedia com lisura, e citam em abono da afirmação (que não sei se pode ser aceita...