Wednesday, October 08, 2008

Pase Libre / Crónica de una fuga





O cineasta Adrián Caetano tomou o livro de memórias de Claudio Tamburrini e fez o melhor filme até hoje sobre a repressão das ditaduras militares latino-americanos na “guerra suja”. O filme Crónica de una fuga, baseado em Pase Libre é uma lição sobre muitas coisas importantes sobre o que poderíamos chamar de período pós-atrocidades na América Latina. Por exemplo, sobre o que Adorno, falando da arte pós-holocausto, dizia ser a necessidade de falar de “meaning and truth and suffering that neither deny nor affirm the existence of a world transcendent to the one we know” e do que ele chamava de um novo imperativo categórico, que é “arrange their thought and action that Auschwitz would not repeat itself, [that] nothing similar would happen”.

Acho que o final do livro ilustra o que eu estou dizendo. O protagonista está num carro, livre e reflete:

“Estoy inmensamente feliz. Siento que mi vida y mi destino me pertenecen. Y me imunda un optimismo desbordante sobre el futuro. Después de Atila, ya no será possible recaer en los mismos errors y vicios de antes. Siento que me he vuelto más sabio. Salvar la vida habrá sido un ejercicio fútil, so no hace seres humanos mejores que nosotros. A partir de ahora, prometo vivir con la Mirada puesta en la felicidad de la gente.

Aí então o tom da discussão entre o Gallego e seu o pai no banco da frente esquenta e o volume das vozes sobe, voltando a atenção do narrador para a conversa entre eles. O pai, furioso e apavorado, critica o envolvimento do filho com política, lhe pergunta o que é que ele fez de errado para ter sido preso e diz simplesmente que o filho vai ter que se entregar! Para os brasileiros terem uma idéia do que isso significa, estima-se dos 5.000 sequestrados que passaram pelo “Campito” [um dos principais entre centenas de centros clandestinos de detenção da ditadura argentina] só 43 sobreviveram para contar a história!

O narrador então retoma sua reflexão e fecha o livro:

“La dureza de este diálogo, más violento y despiadado que la peor de las torturas, me arroja nuevamente a la realidad con la fuerza de una revelación. ¿Entregarse? Sí. ¡El padre del Gallego le acaba de dar esta orden a su hijo! Por lo visto, las crueldades más atroces se originan no en la distancia, sino en la cercanía afectiva de las personas.

‘Más vale no hacer promesa ninguna’ – pienso para mis adentros.

Parece ser un rasgo común delos humanos ensañarse los unos con los otros.

Sólo cambia la manera de inflingir el daño.”

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