Wednesday, February 09, 2011

E agora, José? - Parte 1

Um partido de esquerda mexicano [não o principal, o PRD, mas um partido menor chamdo PT] criou celeuma no congresso mexicano com um cartaz gigante que eles levaram em conjunto até a tribuna com alusões a um possível alcoolismo do presidente Felipe Calderón.



Após reportagem sobre o acontecido, a comentarista, Carmen Aristegui, comentou o fato - a meu ver de forma respeitosa - e pediu que o governo se manifestasse sobre os boatos de que Calderón seria ou não alcoólatra.



Resultado: por pressão do governo Aristegui foi sumariamente demitida do seu posto, e deu há pouco declaração contundente sobre o assunto.

No Brasil muitas pessoas têm dois pesos e duas medidas quando essas coisas acontecem. Quando se trata de um político de que o sujeito gosta, ele diz que trata-se de deslealdade, de fofoca, de golpe baixo, moralismo barato etc; quando se trata de um político de que o sujeito não gosta, o cara passa a fofoca para frente, dá risada, faz piada, chama de pinguço, faz musiquinha e coisa e tal.
Vi, por exemplo, o PT abusar em campanha eleitoral do mesmo Udenismo moralista que a oposição usa volta e meia. Vivemos um balé curioso, em que os indignados de ontem são os pragmáticos de hoje e vice-versa. ACM era um cancro e Sarney é um mal necessário ou vice versa, ou nenhum dos dois?
E agora, José?

4 comments:

Luís Heitor said...

Exatamente Paulo !A oposição índignada de ontem não se incomoda com a corrupção e abusos do própio governo de hoje. E os que fizeram o mesmo no governo anterior , hoje acham um absurdo. Resumindo , são raros os que chegam ao poder , que não se envolvem ou se comrrompem com o sistema . Muito triste !

Paulodaluzmoreira said...

O problema para mim, no contexto brasileiro, é o seguinte, Luís: eu tenho minhas convicções políticas e vejo diferenças concretas de políticas de um governo e outro, e isso é uma coisa importante; agora, se o cara que hoje reclama [acho que com toda a razão] das fofocas sobre os hábitos alcoólicos do presidente da república amanhã insinua que o candidato do outro partido é homossexual como se isso fosse um defeito e depois todos os dois lados pedem mil bençãos aos padres e pastores do Oiapoque ao Chuí e se transformam em papa-óstias... quem acredita ou é inocente demais ou hipócrita. No contexto mexicano, chama a atenção a reação violenta do governo e o ato de censura.

sabina anzuategui said...

triste. a vítima acaba sendo a voz de moderação e seriedade

Paulodaluzmoreira said...

Acho que o governo do Felipe Calderón deu um tiro nos pés com essa demonstração estúpida de truculência. Ainda mais porque eles estão num momento delicado: ele foi eleito numa eleição com fortes indícios de fraude e a tal guerra contra o narcotráfico é um desastre.
Agora esse papo de insinuar [se é que se pode chamar isso de insinuação] que fulano é bêbado ou viciado em não sei o quê, me parece um moralismo estúpido.