Wednesday, March 14, 2012

Recordar é viver: A revolução dos caranguejos

"De todas as violências e ilegalidades postas em prática pela quartelada de 1o de abril, a mais repugnante, a mais abjeta é a oficialização e santificação da delação. [...] No governo da Guanabara, em outros governos, no IAPC, nos demais institutos, na cidade e no País a delação foi guindada a mérito, com direito a recompensa."
Trecho do primeiro parágrafo de "Judas - o dedo-duro", crônica de Carlos Heitor Cony do dia 15 de maio de 1964.

2 comments:

sabina anzuategui said...

alguns amigos falam com desdém do cony, em relação ao regime militar, mas eu nunca soube direito a história.

Paulodaluzmoreira said...

Esse livro, "O ato e o fato", foi publicado já no meio do ano de 1964 com as crônicas que ele escreveu a partir do dia 1o de abril. Ali ele se posiciona desde o começo contra o golpe e as arbitrariedades que íam aparecendo. É um livro interessante porque não tem o filtro pós-ditadura que muitos outros livros sobre o período têm. Eu tbm conheci o Cony das crônicas na FSP e, pior, falando abobrinha na CBN. Digamos que este outro Cony, de 1964, é bem mais interessante... Tem tbm um conto dele "A ordem do dia" que é muito interessante como um modo de tratar 64 comicamente.