Monday, August 20, 2012

Poesia minha


Belo Horizonte de Pedra  

De onde veio essa pedra
que o asfalto agora afoga?

Do Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras.

Quem, lá do alto,
perfurava blocos
no Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras?

Quem, logo abaixo,
broqueava rocha
no Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras?

Quem, logo ao lado,
tinia a marreta
dos cavoqueiros
nos blocos de pedra
de cor igual?

Quem catava com a alavanca
e puxava para a prancha
tanta pedra
tão manchada de suor
no Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras?

Quem, no telheiro,
desbastava os blocos,
retinindo os picões
no Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras.

Quem, na ferraria,
reapontava as brocas velhas,
cansadas da guerra
no Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras?

De onde veio essa pedra
que o asfalto agora afoga?

Do Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras.

De onde veio essa saudade
do que nunca aconteceu?

Do Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras?

2 comments:

Renata said...

Me lembrou Morte e Vida Severina. ;)
(Tata)

Paulodaluzmoreira said...

Obrigado, Tata! O refrão tem o nome das cinco pedreiras abertas para a construção de BH. Hoje esses nomes são quase todos familiares porque são favelas conhecidas da cidade.