Monday, October 19, 2015

Compulsão pela repetição

Não seria difícil crer na compulsão a repetir certos gestos retóricos dentro de uma dada cultura nacional. Uma observação atenta e percebo em cada figura política de sucesso, apesar de algumas novidades, a repetição de certos temas e certos giros retóricos do passado, mesmo que essas repetições sejam feitas em nome de coisas bem diferentes.

Eis o nosso repertório numa lista de samba enredo:

Foto minha: Cicatriz
Dom Pedro I da independência ao exílio de volta à casa portuguesa, a farsa da regência, as várias revoltas regionais, o ano da fumaça em Carrancas, os malês, o nativismo gaúcho, Dom Pedro II o culto, a Guerra no Paraguay, Dom Pedro II o caduco, a proclamação golpista da república, a ditadura de Floriano Peixoto, Canudos, a Revolta da Vacina, a política do café-com-leite, o Contestado, os tenentes nos anos 20, Washington greve-é-caso-de-polícia Luís, Getúlio Vargas e seus acordos e desacordos com deus e o diabo, o nativismo paulista, a CSN, o Estado Novo e o DIP, a dança da guerra mundial, a derrubada de Vargas pelos milicos, as idas e voltas entre quase golpes e contra-golpes entre 45 e 64, o rádio, o suicídio de Getúlio, a Petrobrás, JK, a Bossa Nova, Brasília, Jânio e suas vassouras, Jango e seus comícios, as ligas camponesas, Paulo Freire, 1964, o Cinema Novo, 1968, a Jovem Guarda, a MPB, as aulas de tortura, a Rede Globo de Televisão, o desenvolvimentismo dos milicos, as comunidades de base, a hiperinflação e o FMI, a farsa do Tancredo, a farsa do Sarney, o MST, o plano Cruzado, Collor o caçador de Marajás, o plano Real, as chacinas candelária/vigário geral/Eldorado dos Carajás/Carandiru, as privatizações, a ascenção do pentecostalismo, Lulinha Paz e Amor, o Bolsa Família, o Mensalão, o Petrolão, a Dilmamãe/Dilma Coragem/DilmaGeisel e toma cartas forjadas, falsos planos e massacres de indígenas do começo ao fim.

Cada acréscimo inclui também uma repetição em chave absurda de muitos aspectos de coisas que vieram antes. Mesmo que errando muito, tenho a impressão de que já fomos mais criativos do que temos sido ultimamente. Anti-comunismo? Desenvolvimento tipo-Geisel? 

No comments: