Thursday, November 12, 2015

Trechos do Diário de Witold Gombrowicz

Estou muito, muito lentamente lendo o diário do escritor polonês Witold Gombrowicz, traduzido para o inglês Lillian Vallee e publicado em 2012. Não gosto de traduzir coisas que foram traduzidas para o inglês mas não sei dizer "oi" em polonês mas a importância dos diários de Gombrowicz para mim foi comprovada quando cruzei recentemente com referências a Gombrowicz no livro FUNDAMENTAL de Eduardo Subirats Mito y Literatura, baseado numa leitura instigante de cinco autores centrais para mim: Mário de Andrade, Guimarães Rosa, Juan Rulfo, José María Arguedas e Augusto Roa Bastos. Leio os dois tão lentamente que é capaz de eu nunca chegar ao final dos dois livros, mas chegar ao final das coisas acho que nunca foi meu forte de qualquer jeito...

1953
Quarta-Feira [pg. 67]
O artista que se realiza dentro da arte nunca será criativo. Ele deve permanecer nas periferias onde a arte encontra a vida, onde perguntas desagradáveis como as seguintes aparecem: quanto da poesia que escrevo é convencional, e quanto dela é verdadeiramente real? Até que ponto aqueles que me admiram estão mentindo e até ponto estou mentindo quando me admiro como poeta?

Terça-Feira [pg. 73]
Já viveu um homem em qualquer outro lugar que não em si mesmo? Você está em casa mesmo que se encontre na Argentina ou no Canadá, porque sua terra natal não é um ponto num mapa mas a essência viva de um homem.

1954
Segunda-Feira [pg. 80]
O "eu" não é um obstáculo para estar com as pessoas. O "eu" é aquilo que elas desejam. Tenha certeza, entretanto, que o "eu" não é passado como contrabando. Se há algo que o "eu" não tolera é falta de entusiasmo, timidez, cautela.


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