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O que pode assistir Eisenstein em Guanajuato contra esse exército homofóbico, agora armado com uma AR-15

Talvez faça algum sentido hoje recomendar um filme de 2015 do diretor Peter Greenway, Eisenstein em Guanajuato. Recomendar um filme que corre o risco de ser cafona de vez em quando e que corre o risco de reduzir o México mais uma vez àquele país "exótico" que inspirou 2587 europeus e gringos sedentos de sensualidade e sentimentalismo. Contrariando nossos instintos, esqueçamos, por favor, todas as questões de representação, inclusive àquelas relacionadas com uma inexistente "base documental" para a história que se conta no filme sobre o famoso cineasta russo.

Quero recomendar hoje Eisenstein em Guanajuato por ser um filme que não pede desculpas por mostrar cenas de sexo entre dois homens com aqueles proverbiais violinos melosos e meia-luz "romântica", um filme que não pede desculpas por mostrar o corpo masculino completamente nu sem esconder "as partes pudentas"com aqueles lençolzinhos estratégicos e aqueles malabarismos de câmera que o puratismo de Róliudi implantou como norma mundial.

Quero recomendar Eisenstein em Guanajuato porque um sujeito embriagado de homofobia potencializada pela imbecilidade que permite que qualquer cidadão possa comprar e carregar por aí uma metralhadora AR-15 matou e feriu mais de cem pessoas na noite latina da boate gay Pulse em Orlando na Flórida. 



Aqui a crítica do The Guardian.

Aqui um artigo no mesmo jornal sobre problemas com o filme na Rússia do machão-mor Putinho.

Comments

Eu assisti. É muito bonito. E muito iconoclasta, já que Eisenstein é um mito do cinema.
Dizem que o filme causou muita polêmica na Rússia, por causa da onda anti-gay capitaneada pelo governo. E li dois críticos americanos torcendo o nariz porque ninguém pode provar historicamente que Eisenstein era homossexual. Eu também gostei muito.

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