Tuesday, March 10, 2009

Para o dia da muher: Van Dykes

Li na revista New Yorker essa semana um artigo SENSACIONAL sobre um grupo fascinante de lésbicas militantes dos anos 70. Era um grupo bem pequeno, radicalmente lésbico-feminista, que simplesmente não dirigia sequer uma palavra a qualquer homem e que viviam em comunas rurais espalhadas pelos Estados Unidos, comunidades chamadas de “womyn’s territory” [elas não queriam saber de “men” nem nome mulher] em que nem crianças do sexo masculino podiam entrar.
Umas poucas dessas mulheres se encontram pelas estradas da vida e decidem criar um novo grupo chamado "Van Dykes". O nome é uma brincadeira com um sobrenome que existe [e que nome tinha o ator Dick Van Dyke…], com os carros em que elas viviam e viajavam [vans] e com “dyke” que quer dizer sapatão na gíria. Todas elas então mudam de nome, adotando o mesmo sobrenome [Van Dyke] como uma nova família e vivem viajando em uma pequena caravana de vans que vai de comuna em comuna, de festival em festival. As Van Dykes são totalmente contra a monogamia, então ali nas kombis ninguém era de ninguém. Fazem uma viagem quixotesca até o sul do México em busca do paraíso lésbico [longe do frio terroroso do norte] e depois têm uma adesão entusiasmada e radical ao sado-masoquismo. Isso é só um resumo apressado do artigo, que centra atenção na única delas que ainda usa o nome daquela época, “Lamar Van Dyke”, atual proprietária de uma loja de tatuagens. Vale a pena pelas histórias de gente que acreditava piamente em reinventar o mundo com pouco mais do que a própria vontade. O artigo fecha com a voz de Lamar Van Dyke:
“Your generation wants to fit in (…) Gays in the military and gay marriage? This is what you guys have come up with?” There was no contempt in her voice; it was something else – an almost incredulous maternal disappointment. “We didn’t sit around looking at our phone or looking at our computer or looking at the television – we didn’t sit around looking at screens,” she said. “We didn’t wait for a signal to do something. We were off doing whatever we wanted.”
Só assim para explicar as pessoas que acham uma grande conquista feminima o poder político de figuras como Margaret Thatcher ou Condoleezza Rice, ou o fato de que as mulheres podem votar no “muso do verão” ou “muso do carnaval”

3 comments:

sabina anzuategui said...

o final do artigo é mesmo ótimo (e triste). aliás, a história é incrível, já contei por aqui a várias pessoas, todo mundo pergunta: por que não fizeram um filme sobre isso?

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acho que o filme mais proximo seria "até as vaqueiras ficam tristes", do gus van sant (?)

angélica freitas said...

muito bom!

& o filme é do van sant mesmo. e o livro é do tom robbins. :-)

Paulodaluzmoreira said...

E ainda tem a parte em que Lamar Van Dyke, já cinquentona, recebe um telefonema de uma pessoa que a chama pelo seu nome de batismo. Ela desliga na hora e fica gelada com medo de ser alguma coisa do FBI ou coisa que o valha. Aí uma amiga liga para a tal pessoa e descobre que é a filha que ela teve depois de uma transa [antes de ser lésbica ela foi casada duas vezes] com um cara que se dizia pantera negra. Ela teve a filha e deu para adoção e nunca mais pensou no assunto. O encontro das duas é incrível, ela se descobre avó e a família da filha [da comunidade negra de Oakland] se reúne toda para fazer tatuagens com Lamar.