Wednesday, February 01, 2012

Poesia Minha - Variações sobre nós dois


Seis variações sobre nós dois

… el Océano ejemplificaba

tangible y espetacularmente

la hostilidad y extrañeza de la realidad cósmica y,

en cuanto límite de la Isla de la Tierra,

no le pertenecía al mundo y,

por lo tanto, no se le consideraba

como susceptible de posesión juridica

u objeto para el ejercicio de la soberania de los príncipes.

Edmundo O’Gorman

I

Mar alto, cego, indiferente,

digere um punhado de pó;

dissolve o grão, consome o seco,

desmonta a oferta do escolho.

II

Incham os músculos do rio,

rasgam as margens de pano,

caçam o cascalho da beira,

abraçam, sufocam o saibro,

enterram farpas de pedra

no campo santo de seixos,

silenciosa fábrica de limo.

III

A chuva fina insiste e encharca a laje,

se enfia pelos cantos mais duros,

infiltra o reto, corrói o plano,

cava veios, apodrece a prazo

a própria catacumba de calcário.

IV

Nudo, baço, manso, obscuro lago,

dorme inerte no estio do inverno,

no berço cercado de serras vermelhas;

sonha, se amolda, contorna

amorosamente

enquadrado no minério

de ferro da serra.

V

Poça esquecida no alto do barranco,

humilde se aterra

nos braços rachados do barro;

se seca no sol,

se mata no escaldo

e evapora livre

de si mesma, afinal.

VI

Vira a noite a madrugada;

o orvalho vaporoso

desce da nuvem cinzenta

e pousa na pedra.

Cobre de prata a pedra paciente,

que espera pelo sol.

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