Skip to main content

Um fantasma de William Faulkner

Beth Grant fez o papel na adaptação de 2013
Três momentos inesquecíveis do capítulo narrado pela defunta Addie Bundren em As I Lay Dying [Enquanto Eu Agonizo] de Faulkner:

1. Sobre como ódio e frustração desembocam em violência física contra os filhos:

"I would look forward to the times when they faulted, so I could whip them. When the switch fell I could feel it upon my flesh; when it welted and ridged it was my blood that ran, and I would think with each blow of the switch: Now you are aware of me! No I am something in your secret and selfish life, who have marked your blood with my own for ever and ever."

2. O pedido de casamento:

Anse vem querendo pedir a mão de Addie Bundren em casamento e fala em falar com os pais dela:
'I aint' got no people. So that won't be no worry to you. I don't reckon you can say the same.'
'No. I have people. In Jefferson.'
His face fell a little. 'Well, I got a little property. I'm forehanded; I got a good honest name. I know how town folks are, but maybe when they talk to me...
'They might listen,' I said. 'But they'll be hard to talk to.' He was watching my face. 'They're in the cemetery.'
'But your living kin,' he said. 'They'll be different.'
'Will they? I said. 'I don;t know. I never had any other kind.'

3. A maternidade

"That was when I learned that words are no good; that words don't even fit even what they are trying to say at. When he [Cash, seu primeiro filho] was born I knew that motherhood was invented by someone who had to have a word for it because the ones that had the children didn't care whether there was a word for it or not. I knew tha tfear was invented by someone who never had the fear; pride, who never had pride. I knew that it had been, not that they had dirty noses, but that we had had to use one another by words like spiders dangling by their mouths from a beam, swinging and twisting and never touching, and that only through the blows of the switch could my blood and their blood flow as one stream. I knew that it had been, not that my aloneness had to be violated over and over each day, but that it had never been violated until Cash came. Not even by Anse in the nights."



Comments

Popular posts from this blog

Protestantes e evangélicos no Brasil

1.      O crescimento dos protestantes no Brasil é realmente impressionante, saindo de uma pequena minoria para quase um quarto da população em 30 anos: 1980: 6,6% 1991: 9% 2000: 15,4%, 26,2 milhões 2010: 22,2%, 42,3 milhões   Há mais evangélicos no Brasil do que nos Estados Unidos: são 22,37 milhões da população e mais ou menos a metade desses pertencem à mesma igreja.  Você sabe qual é? 2.      Costuma-se, por ignorância ou má vontade, a dar um destaque exagerado a Igreja Universal do Reino de Deus e ao seu líder, Edir Macedo. A IURD nunca representou mais que 15% dos evangélicos e menos de 10% dos protestantes como um todo. Além disso, a IURD diminuiu seu número de fiéis   nos últimos 10 anos de acordo com o censo do IBGE, ao contrário de outras denominações, que já eram bem maiores. 3.      Os jornalistas dos jornalões, acostumados com a rígida hierarquia inst...

Poema meu: Saudades da Aldeia desde New Haven

Todas as cartas de amor são Ridículas. Álvaro Campos O Tietê é mais sujo que o ribeirão que corre minha aldeia, mas o Tietê não é mais sujo que o ribeirão que corre minha aldeia porque não corre minha aldeia. Poucos sabem para onde vai e donde vem o ribeirão da minha aldeia, 
 que pertence a menos gente 
 mas nem por isso é mais livre ou menos sujo. O ribeirão da minha aldeia 
 foi sepultado num túmulo de pedra para não ferir os olhos nem molhar os inventários da implacável boa gente da minha aldeia, mas, para aqueles que vêem em tudo o que lá não está, 
 a memória é o que há para além do riberão da minha aldeia e é a fortuna daqueles que a sabem encontrar. Não penso em mais nada na miséria desse inverno gelado estou agora de novo em pé sobre o ribeirão da minha aldeia.

Os godos e o engodo racial em Machado de Assis e Lima Barreto

Muita gente acha que questões raciais estão ausentes da literatura brasileira mais antiga porque não sabe ver. Trago aqui dois exemplos clássicos, de mais de cem anos, de discussão certeira sobre as falácias do embranquecimento e da valorização da cor branca no Brasil. Os dois exemplos se apoiam num mesmo termo racial, usado de modo sarcástico, em Machado de Assis e em Lima Barreto: "godo", que se refere às tribos bárbaras [ostrogodos e visigodos] que invadiram e tomado entre partes do império romano como a península ibérica e a Itália, vira um sinônimo irônico para branco nos dois textos. Machado de Assis com a ironia fina peculiar lista entre as "moléstias mentais" diagnosticadas por Simão Bacamarte em "O alienista"não apenas a mania do embranquecimento, mas também a hipócrita cegueira a respeito dessa mania: "Alguns cronistas crêem que Simão Bacamarte nem sempre procedia com lisura, e citam em abono da afirmação (que não sei se pode ser aceita...