Thursday, July 22, 2010

E ainda tem gente que vai sentir saudade da era do CD...

De acordo com resenha da Folha de São Paulo, o CD novo do violoncelista Antônio Meneses
custa 35 reais. Na Amazon o mp3 custa 9 dólares, um pouco menos de 16 reais, e você ainda pode comprar faixas isoladas por mais ou menos R$1,75.

6 comments:

Tata Marques said...

existem cds baratos e a era do não cd veio junto com uma desprofissionalização da música que se por um lado é boa por botar todo mundo no mesmo balaio, por outro é ruim por botar todo mundo no mesmo balaio. Acho que as eras passam porque têm que passar e é triste só pra quem vive na passagem e não sabe o que fazer da vida que acaba antes que as coisas se estabeleçam novamente para em seguida passarem outra vez.

Paulodaluzmoreira said...

Assisti uma palestra online de um cara chamado Ronaldo Lemos sobre o assunto e achei muito interessante. Acho que há muitas oportunidades nessa mudança. Uma delas é o fato de que, em tese, eu posso morar em Nova York ou em Ponte Nova e ouvir música sem precisar de intermediários da indústria cultural. Não substitui nem "destrói" a indústria da cultura de massa, mas cria alternativas para quem quer procurar outros caminhos.

Paulodaluzmoreira said...

E só completando, achar esse tipo de CD numa loja não é tarefa fácil, nem em cidade grande. Agora, por MP3 ele fica acessível e o ato de compra é igual em qualquer lugar.

Tata Marques said...

AAh, eu não sei muito do que falo. Mas a impressão que eu tenho é que viver de música está cada vez mais difícil. Os consagrados, seja lá qual for o tamanho geográfico dessa consagração, vão levando ainda, mas os novos estão perdidos. Porque uma música em mp3 pode ser comprada só por vc e daí distribuída gratuitamente para o resto do mundo. Então se ela custa 1,79, será esta a remuneração pelo trabalho do músico e de toda a equipe necessária para a realização da coisa. Ok, isso é ótimo para quem escuta. Eu mesma adoro. Mas e o músico? Não adianta dizer que músico vive de show, porque cada vez menos gente quer pagar pra ir a shows de música simplesmente pela música. Ou melhor, não se promove mais eventos com estas características em muitas cidades do Brasil. O show agora é um mega evento de massa. O artista fica nas mãos dos contratantes, que deixam de ser os “caras das gravadoras” e passam a ser os patrocinadores de eventos. O que é historicamente normal. O problema é que as coisas ainda não se assentaram, as pessoas ainda não perceberam que o mundo é outro. Então, neste redemoinho, os contratantes dos shows usam o discurso de que o artista está divulgando seu trabalho ao apresentá-lo e que, portanto, o cachê deve ser pequeno ou nenhum. Mas trabalho é atividade remunerada ou meio de sobrevivência, não é? Se o show, que é divulgação de um trabalho, não pode ser pago descentemente porque os contratantes entendem que o músico ganha mais com o negócio do que eles, e o tal trabalho não é vendido porque o público tem direito ao acesso, o músico fica a ver navios e vivendo de ar. Não tem pra onde correr. Aí acontece a desprofissionalização que te falei. O músico que não atende ao gosto das massas que freqüentam festas de peão boiadeiro bota a viola no saco e vai vender cachorro-quente, ou aluga uma carroça e sai fazendo o shows mambembes por conta própria e sem a ilusão de que um dia alcançará o sucesso. E eu nem falo em alcançar sucesso à moda antiga como tocar no rádio e na TV. Falo de um mínimo de sucesso financeiro pra pagar escola de filho, se tiver, médico, se precisar, etc. É lógico que o redemoinho não atinge à música de extremo apelo popular como é o caso dos sertanejos e dos calypsos da vida. Na verdade até atinge, porque essa gente não vende cd mais. Mas o mercado só se abre pra esse tipo de produção, entendeu? É isso que eu acho.

Paulodaluzmoreira said...

Entendo o que vc disse. Há muito, muito tempo atrás, sonhei e timidamente tentei ganhar a vida com música e não deu em nada. Isso em plena era pré-mp3. Esse papo de divulgação é de doer mesmo e acontece em todo o canto. Que jornal ou revista literária, eletrônica ou não, oferece qualquer merreca aos que escrevem lá? É tudo na base da "amizade" ou da "divulgação". Mas esses gargalos talvez fossem até piores antes. Sei lá.

Tata Marques said...

eu já andei comparando as coisas uma época, e cheguei à conclusão de que a produção musical é muito mais cara que a literária. E também gera um produto ainda mais abstrato que a literatura. Se eu não tenho dinheiro pra pagar músicos bons eu não tenho música. e músicos bons só existem com bons instrumentos que são caros, com estudo e dedicação que exigem tempo, e vc sabe, tempo é caro. acho que a música é ainda mais sensível aos gargalos da industria da divulgação que a literatura. mas posso estar enganada por ser do tipo de pessoa que está atolada no assunto até o pescoço. vc sabe como é.