Wednesday, August 24, 2011

Para refletir sobre agronegócio e sobre o suposto fim do imperialismo com o fim da Guerra fria na América Latina.

[Ilustração: da exposição Dores da Colômbia]


Num contexto em que comglomerados argentinos da soja se transferem para o Brasil em busca de um “ambiente mais amigável aos negócios” é preciso desmistificar urgentemente o discurso que fala de uma modernização capitalista no campo confundindo duas coisas que não têm que coincidir: modernização econômica e projeto democrático.

Em sessão de uma corte distrital americana em Março de 2007, a multinacional Chiquita Brands International admitiu culpa em uma instância de “Engaging in Transactions with a Specially-Designated Global Terrorist” [engajar-se em transações com organizações listadas como terroristas]. No caso trata-se da rede de grupos para-militares colombianas Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), listada como terrorista pelo departamento de estado estadounidense desde 2001, que recebeu da Chiquita 1.7 milhão de dólares em uma centena de pagamentos entre 1997 e 2004 para “pacificar” a região bananeira no estado de Antioquia.

O fim do caso na corte: um acordo no qual a Chiquita pagou 25 milhões de dólares e manteve a confidencialidade das transações intacta. Ninguém foi preso.

Em abril de 2011, o National Security Archive (NSA), na George Washington University, publicou 5,500 páginas de documentos internos da Chiquita por causa do Freedom of Information Act. Nele se vê a Chiquita abastecendo a Guerra fraticida na Colômbia, pagando a simplesmente todos os lados. Em entrevista recente um ex-paramilitar negou veementemente que o dinheiro tenha sido fruto de extorsão e ainda incluiu a Dole e a Del Monte. Outro para-militar foi mais específico:

“A gente recebia uma chamada das plantações da Chiquita e da Dole identificando pessoas como ‘problemas de segurança’ ou simplesmente ‘problemas’ e a gente sabia que devia executar a pessoa identificada.”

Esses “problemas de segurança” eram geralmente líderes sindicais ou camponeses tentando reinvidicar terra desapropriada para favorecer o tal “agronegócio”.

Está tudo documentado nesse excelente artigo da COHA.


2 comments:

sabina anzuategui said...

Mas há o que refletir? É "Santa Joana dos Matadouros".

Paulodaluzmoreira said...

Vc tem razão, Sabina. O título é mais um convite a um imaginário entusiasta do agro-negócio que provavelmente nunca vai passar nem perto deste blogue.