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Recordar é viver: o Brasil e os índios

Diário do Rio de Janeiro, 2 de agosto de 1860
Eram tempos de escassez de mão de obra com o fim do tráfico de escravos e a expansão do que chamaríamos hoje a "agro-indústria" cafeeira. Daí a irritação palpável no comentário final na nota à reportagem sobre esses 143 índios vivendo "no estado da natureza" tão perto da fazenda do "cidadão" João Carlos Pereira Leite. Quem os terá contado? Com que propósito? "Em outro paiz onde a administração fosse mais amante do trabalho, essa horda indispensavelmente teria sido aproveitada para a lavoura ou para qualquer outro mister social". Na falta dessa tal administração amante do trabalho, talvez ficasse a cargo do tal cidadão João Carlos Pereira Leite o "aproveitamento" dessas 143 almas no moinho de gente chamado Brasil. Deixei de propósito a nota seguinte sobre a chegada ao Rio de Janeiro de 69 escravos da Bahia, mas não há edição da minha parte. As duas notícias com a nota irritada no meio estão assim no jornal.

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