Tuesday, June 03, 2014

Breve ensaio sobre tudo sob forte efeito de alucinógenos - Parte 3

Arte minha: Auto-Retrato 3

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Que fique bem claro: mesmo sem chegar aos extremos patológicos da depressão e da síndrome do pânico nem a abertura radical para o que está além do corpo nem a soberania estática do corpo imóvel são puramente libertadores. Em primeiro lugar porque liberdade é uma palavra que, num mundo cada vez mais fechado a alternativas viáveis de vida, é usada apenas como eufemismo para a velha fé na transcendência, santa que não conta a minha devoção. Em segundo lugar porque a verdadeira abertura para o outro não tem nada a ver com a farsa do multi-culturalismo, que imagina um outro que é, no fundo, apenas mais do mesmo, e porque o fechamento dos sentidos do corpo para o mundo, seja que mundo for, é sempre sinônimo de morte. A dolorosa e desgastante abertura do corpo para o mundo é o que chamamos de vida – e não é atoa que envelhecemos. A alternativa é terrível: a morte.    

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