Saturday, June 13, 2015

Adeus, Fernando Brant!

Foto minha: Água e Pedra em Diamantina
Nessa época na casa dos meus pais cada disco novo de Milton Nascimento ou de Chico Buarque era um acontecimento. Meu pai comprava o disco, levava para casa e a família inteira se reunia em volta da vitrola. Escuteavamos quase me silêncio um lado, alguns faziam uns comentários [nunca eu] e escutávamos o segundo lado. Meu pai se maravilhava com Fernando Brant e eu me encantava mesmo era com a voz do Milton. Pensava comigo que o Milton podia compor em cima de um anúncio de Colorama e tudo ficava lindo. Um desses grandes enganos da infância, direito de qualquer um. Além do mais eu curtia os discos mais antigos, menos doces e as letras nonsense do Márcio Borges. O fato é que quando Milton se fazia acompanhar de um grande letrista que sabia encontrar as palavras justas para os meandos delicados dessas melodias de fazer o coração palpitar... Fernando Brant, nos seus momentos mais felizes, era o melhor deles; meu pai tinha razão. 


Itamarandiba
Fernando Brant / Milton Nascimento

No meio do meu caminho 
sempre haverá uma pedra.
Plantarei a minha casa 
numa cidade de pedra.

Itamarandiba, pedra comida,
pedra miúda rolando sem vida.
Como é miúda e quase sem brilho a vida 
do povo que mora no vale.

No caminho dessa cidade
passarás por Turmalina, 

sonharás com Pedra Azul,
viverás em Diamantina.



Itamarandiba, pedra comida,
pedra miúda rolando sem vida.
Como é miúda e quase sem brilho a vida 
do povo que mora no vale.

No caminho dessa cidade
as mulheres são morenas,
os homens serão felizes
como se fossem meninos.



3 comments:

Juliana Jayme said...

Que lindo Paulo! Acho que ele era realmente o melhor deles.

Paulodaluzmoreira said...

Pois é, Ju, ele tinha uma certa razão quando dizia que era letrista e não poeta, ainda que eu não concordasse com os termos que ele usava. Eu acho que ele era um tipo de poeta muito, muito raro, que tinha essa sensibilidade fina para música. A gente sente claramente que ele não sentava sozinho e escrevia um poema que depois ele dava ao Milton para musicar mas que ele trabalhava com o Milton. Uma beleza!

Anonymous said...

Que música linda! Eu não conhecia.
(Tata)