Monday, June 08, 2015

Notas para livros impossíveis

1.
"Ao invés de dar sua própria opinião, um grande crítico possibilita aos outros formar a opinião deles com base na sua análise crítica."

"O realismo de ontem é o maneirismo de hoje."

2.
"As coisas para ele eram engraçadas e tristes ao mesmo tempo, mas você não conseguiria ver a tristeza das coisas se não enxergasse a sua graça porque as duas estavam amarradas."

Meu tio Zuza costumava dizer que o que a mulher mais queria do homem era mandar no casamento, mas há que se considerar que meu tio Zuza viveu a vida inteira solteiro.

3.
"O mundo diminuiu sem que tenhamos crescido."

"Antes de criar devemos existir mas para existir havemos de criar sem trégua."

Não somos consumistas por frivolidade mas por desespero. Nosso mundo está dividido em duas metades complementares. Uma delas é o terrível universo da produção: dominado pelo intelecto, pela objetividade, pela padronização e pelo mais desapiedado desencantamento. A outra metade é o fantástico universo do consumo, dominado pela magia, pela subjetividade, pela crença na afirmação da existência como individualidade e pelo mais despudorado re-encantamento. O mundo do trabalho nos suga as energias até o osso e onde é que nos oferecem descanso? No mundo do consumo.

2 comments:

Anonymous said...

Por essa definição, ser um grande crítico é tão impossível quando ser um grande professor. =)
(Tata)

Paulodaluzmoreira said...

É de Walter Benjamim, Tata. Quer dizer, traduzido do alemão para o inglês em citação num livro sobre outra pessoa e dali traduzido para o português, nem sei se é dele ainda ;). O que eu entendi foi que é melhor a gente centrar o foco em compartilhar o que a gente descobriu lendo e fuçando o que leu do que em dizer que a gente gostou ou não como se isso fosse importantíssimo para o resto do mundo. E essas descobertas podem ser feitas tanto em livros que adoramos como em livros pelos quais não temos grande apreço pessoal. Fica como uma utopia de crítica, mas se a gente não tenta aí é que não chega mesmo a lugar nenhum, não é?