Wednesday, January 07, 2009

Um poema meu - Mash-up de "Morte sem fim"

Mash-up 5: Morte sem fim


¡Hazme, Señor,
Un puerto en las orillas de este mar!



Eis o meu poema,
pesadelo surdo
da carne, que queima,
punciona, rói, sangra.

Flor que se abre pra dentro,
estéril, cheia
de mim, repetindo; presa
na epiderme que me define,
cheia de mim.

Eu, seco como a sede do gesso,
padecendo a fome do ar que respira,
por um Deus inalcançável,
rancor da molécula.

Pântano de espelhos,
solidão em chamas.
Surdo pesadelo da carne.
Ilhas de monólogos sem eco.
Topo dum tempo paralítico.

Ínfimo do olho
que segue o curso da luz
pela pele da gota de orvalho.

Flor que se abre para dentro,
afogada n’água
estrangulada no copo.

Poema que se afoga na garganta –
Resta o poço ainda ressecado,
esgar de agonia:
o poema.

Obs. Mash-up, um termo emprestado da música, é basicamente um processo de edição em que se combinam a voz de uma canção e o acompanhamento instrumental de outra canção completamente diferente, ajustando-se tom e andamento da segunda, para a criação do que podemos considerar quase uma terceira canção. Muerte sin fin é um livro/poema de José Gorostiza.

1 comment:

Mariana said...

belo poema!