Wednesday, November 18, 2009

Poema meu ou, rindo da desgraça própria com redondilhas e rimas fáceis

Imagem: uma das aranhas de Louise Bourgeois
Fonte: blogue da Art 21

Apneia

be still be calm be quiet now my precious boy
don't struggle like that or i will only love you more
Robert Smith


As seis pernas coloridas
terminando em pontinhas
delicadas
mal deixam rastros no chão.
As seis perninhas coloridas
dançando em volta da linha
enquanto ela desce do teto,
cuidadosa, devagar.
Ela pousa em minha cama,
no escuro do meu corpo,
quando eu pego no sono
e paro de respirar.
Sua língua abre meus olhos
devagar
enquanto passa a linha
pelo buraco da agulha
e as perninhas coloridas
começam a me embrulhar
num pacote apertado
do tamanho justo
do meu punho fechado.
Subimos juntos de volta
até a teia, até o teto,
onde ninguém pode me pegar,
onde eu, calmo, espero
a hora do seu jantar
que já vai chegar.

3 comments:

Tata Marques said...

Gostei do poema.
Então, uma vez vc perguntou onde podia ouvir alguma coisa minha. Não é bem minha, mas sou eu cantando. E o linck tá no meu blog. Ouve lá. :)
Abços.

Paulodaluzmoreira said...

E aquela ideia de uma musica? As letras estao a sua disposiçao aqui no blogue...

Tata Marques said...

Vou fazer nas férias, falta pouco. Compor exige ócio.