Sunday, January 31, 2010

Poema meu

Sonho cansado



Repara este traço
da mancha da espuma
da baba do verso
nervoso grafado
no meu travesseiro:
ao som abafado
do osso esmagado

por entre ferragens
da porta do carro
ardendo no fogo
esvai-se o corpo
em fumaça e cinza
que o vento carrega
maduro do chão

e a chuva retorna
fundida na lama
que o sol do meu sonho
resseca num pó
preto, amargo e impuro,
que irrita a garganta
e desce ao pulmão.

Como é que vem cá,
no meio do sonho,
e amarra a sua égua
o velho cansado
que espera o futuro
aqui, bem no centro
no meio de mim?

2 comments:

sabina anzuategui said...

gostei.

Paulodaluzmoreira said...

Que bom que vc gostou, Sabina. É um verdadeiro festival de redondilhas, ainda por cima em estrofes de 7 versos!