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Pindorama e Babilônia, ou o lugar das idéias I

I
Eu acho que falar sobre a demonização do outro é bater em cachorro morto. Eu me preocupo com um outro fenômemo, tão freqüente quanto e muito menos óbvio que aquele: um olhar crítico aparentemente agudo sobre nós mesmos pode tornar-se profundamente míope simplesmente porque parte de uma generalização idealizada do outro.
Chega de ser esotérico; vou dar um exemplo partindo de um lugar comum no pensamento crítico brasileiro: a idéia, ainda corrente no Brasil, de que o país entrava no século XX como um espaço arcaico investido de um discurso moderno, portanto como um país ainda dilacerado por uma contradição insolúvel entre a fascinação por idéias liberais modernas que não lhe pertenciam e o profundo arraigamento a uma estrutura social arcaica.
Continuo amanhã, tentando mostrar que essa idéia pressupõe uma visão altamente idealizada da situação na Europa e dos Estados Unidos na mesma época.

Comments

ah, continue, por favor!
na pesquisa "o livro no brasil" há alguns gráficos comparando as cidades brasileiras, europeias e norte-americanas a partir do sec. XVIII (acho).

durante muito tempo, não havia grande diferença entre o brasil e os eua (em numero de habitantes, alfabetização e livros em circulação).

a distancia começa a surgir mais tarde... acho que isso desmente, de certa forma, aquele lugar comum de que o brasil "nasceu errado" porque era uma colonia de exploração. mas são dados que pouca gente conhece.

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