Monday, April 05, 2010

Diário da Babilônia - Crise no Ensino

"In his most recent essay on the topic, "The Big Lie About the 'Life of the Mind'" (February 8), he [Thomas H. Benton] states that more and more graduate students are from working- to lower-middle-class backgrounds. They were raised to believe that the more education they acquired the better they would fare in life. And yet a starting professor's salary in the humanities is barely lower-middle class. And far fewer than 50 percent of newly minted Ph.D.'s ever find such a job."

Obs. Em inglês o conceito de Ciências Humanas como pensado no Brasil no ambiente acadêmico não é de uso corrente. Aqui as Ciências Humanas estariam divididas entre Ciências Sociais [social sciences] e humanidades [Humanities]. Eu particularmente prefiro a divisão brasileira, ainda que ela seja na maioria das vezes apenas um rótulo.

5 comments:

Tata Marques said...

não sei se entendi tudo o que estava escrito, mas até onde eu fui me faz perguntar: e não foi sempre assim? quer dizer,crise não seria uma coisa que se instala e que altera um estado de coisas anterior?

sabina said...

Ah... mas algum professor veio de família rica, em alguma época?

Apesar dos pesares, a educação ainda é um tipo de ascensão (se não financeira, ao menos quanto à nobreza do trabalho).

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Aliás, ouvi que em outros países da américa latina o salários dos professores universitários é baixíssimo, quase miserável. (difícil de acreditar que possa ser pior que no Brasil, mas me disseram que é)

Paulodaluzmoreira said...

Uma das minhas questões é justamente desmistificar a idéia de que nos Estados Unidos as coisas são "completamente diferentes". São diferentes, mas nem tanto. Eu canso de ler gente importante da academia brasileira "babando ovo" em cima de uma realidade que eles na verdade não conhecem. E quando a coisa diz respeito à Europa é até pior, porque o que tem de europeu louco para trabalhar aqui e o que eles dizem sobre o sistema de lá...
Bom, explicando sobre a crise: aqui os programas de pós-graduação cresceram muito, formando muitas pessoas que sonham com um emprego com "tenure" [estabilidade no emprego basicamente - vc só pode ser despedido por justa causa] e com um padrão de vida de classe média média. Só que cada vez menos pessoas ganham tenure e outros empregos, como o de professor do ensino médio, que exigem bem menos em termos de tempo [e tempo é dinheiro] podem acabar compensando financeiramente mas são vistos como um fracasso - os filmes americanos estão cheios dessa figura do professor de segundo grau frustrado que tem um PhD.
Mas, além disso, o problema é que as humanidades aqui tinham um status que nunca tiveram no Brasil. Aqui ainda é considerado absolutamente normal que uma pessoa se forme em filosofia ou inglês ou história e depois vire investidor da bolsa ou jornalista ou trabalhe numa firma qualquer. O clichê era que um diploma das humanidades "prepara o sujeito para nada especificamente e assim prepara o sujeito para tudo". Só que esse modelo está em crise pq os novos alunos buscam cada vez mais cursos "técnicos" específicos.

sabina said...

Você viu o filme "A família Savage", com o P. Seymour Hoffman? A situação dele e da namorada é bem essa.

De todo modo, os brasileiros costumam idealizar EUA e Europa, e eu também coleciono argumentos contrários (estratégia de sobrevivência?)

Paulodaluzmoreira said...

Eu moro aqui, então para mim é uma questão de saber onde estou de onde eu vim e o valor relativo que as coisas têm. Eu sou completamente a favor de não ficar mistificando o "Brasil Maravilha", mas tbm de que adianta tanto senso crítico quando ele só se dirige para o próprio umbigo? No Brasil algumas pessoas (de esquerda inclusive) sofrem com um terrível complexo de inferioridade e ficam enchendo a boca para falar das maravilhas da academia européia [de onde os alunos fogem para os EUA muito mais do que no Brasil] ou dos Estados Unidos. Para mim tanto o ufanismo como esse senso crítico míope que confunde negativismo com inteligência são duas faces do mesmo complexo de inferioridade. Eu, se tivesse esse tipo de complexo, tinha voltado correndo com o rabo entre as pernas, pq aqui muita gente se acha superior mesmo.