Wednesday, December 12, 2012

Feliz Aniversário, Belo Horizonte


Foto minha: aí estão elas...
Belo Horizonte de Pedra  

De onde veio essa pedra
que o asfalto agora afoga?

Do Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras.

Quem, lá do alto,
perfurava blocos
no Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras?

Quem, logo abaixo,
broqueava rocha
no Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras?

Quem, logo ao lado,
tinia a marreta
dos cavoqueiros
nos blocos de pedra
de cor igual?

Quem catava com a alavanca
e puxava para a prancha
tanta pedra
tão manchada de suor
no Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras?

Quem, no telheiro,
desbastava os blocos,
retinindo os picões
no Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras.

Quem, na ferraria,
reapontava as brocas velhas,
cansadas da guerra
no Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras?

De onde veio essa pedra
que o asfalto agora afoga?

Do Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras.

De onde veio essa saudade
do que nunca aconteceu?

Do Acaba Mundo, Carapuça
Prado Lopes, Lagoinha,
e o Morro das Pedras?


A origem desse poema, agora de aniversário, está nessa descrição que Abilio Barreto publicou no jornal A Capital em 1897:
" Alí o trabalho é intenso, junto aos enormes blocos de pedra de uma cor igual, tiniam as marretas dos cavouqueiros, ouvia-se a cantarola dos operários, ritmando o seu árduo labor, alavancas em punho, movendo pedras para as pranchas; no telheiro o picão retinia, desbastando grandes pedaços de pedra, preparando-as para as obras. 
Na ferraria, diversos trabalhadores pontavam as brocas.
Do alto da pedreira era lindo o panorama de Belo Horizonte, ao longe. Alí os operários perfuravam um bloco cantando uma canção melancólica, ao passo que em baixo a turma de operários broqueava as rochas."

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