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Viva la mídia loca: censuráveis e incensuráveis

Um texto pequeno saiu no The Guardian sobre as políticas de censura do FCBK. Cenas de cabeças rolando: ok; cenas de mulheres amamentandoonde seus mamilos se deixam revelar: proibido! Esclareço de uma vez que eu não estou minimamente interessado em proibir ou "permitir" nada nem no FCBK nem em lugar nenhum.
Esses momentos de ridículo são bons para salientar o que digo aos meus alunos daqui: um filme com uma decapitação gráfica e duzentas cenas de tortura e assassinatos não ganha a atenção de uma fração de mamilo feminino no sistema de censura americano e eles então não se sentem à vontade assistindo a um filme em que alguém fica pelado por 15 segundos porque já foram "treinados" para sentir-se assim, como nós no Brasil fomos treinados a achar normal que uma pessoa pública se chame "Mulher Filé" e venda parafusos com a imagem do seu traseiro ao lado de sujeito com cara de bonzinho vestido dos pés à cabeça e com um apelido infantilóide do tipo Gugão ou Faustinho.
E mais: há que se pensar no mundo em que vivemos em que a censura privatizada não causa escândalo. Sim, porque a censura é muito ativa e está privatizada por aqui: é concebido como um sistema de auto-censura por parte das grandes empresas como o FCBK. No Brasil um tipo de censura bem parecido existe também e também é privatizado. Um permite decapitações, outro permite a banheira do Gagá. Mas nessas horas a tal globalização mostra também sua cara mais costumeira: a de americanização do mundo, para o bem e para o mal. 
E mais uma última observação: as decapitações estão bem desde que sejam acompanhadas por textos que condenem a prática. Mas uma foto de um anúncio de sabão em pó no qual a Mulher Repolho se agarra com um sujeito qualquer e mostra seus mamilos "desocupados" de qualquer tipo de amamentação [importante sublinhar: amamentação de bebês] não passa pela censura do fcbk nem se acompanhada por um texto que condene o ato, seja ele a exposição imoral de partes pudentas de seres humanos ou a comercialização impudenta de um certo corpo feminimo ou a idealização de uma forma física que depende de uma dieta de alface e água e 12 horas de ginástica ou a transformação do sexo numa performance para a venda de sabão em pó ou...  

Comments

Anonymous said…
Concordo plenamente. Não estou tão certa sobre a opção de escrachar totalmente e falar como um maluco! Não sei se é uma opção consciente da sua parte. É? E não sei se há uma maneira diferente de lidar com a realidade, realmente não sei. Mas essa é uma "piada" amarela-indiana, amarga que escorre por entre os dentes... (E com o "amarela-indiana" eu te digo que escrevendo assim só vc vai me entender... - entende a analogia com o pensamento acima?)
Essa é na verdade uma série de posts com o tag "rir para não chorar" e também pertence a outro chamado "viva la midia loca".
Anonymous said…
Na verdade, o mundo perdeu o bom senso. Eu diria até mais. Eu diria que o mundo perdeu o senso.
Beijos,
Tata.
SamOUCore1 said…
vc lê que decapitações podem e nudez não e faz o quê? escreve "a sério" sobre o assunto?

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