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Aventuras de um turista manco e míope em Vancouver

Essa árvore saudável  parecendo 
um paciente de UTI me encarou com seu 
uni-olho e perguntou, "tem base?" 

As pedras da cidade falam
Já fui um turista eficiente e contumaz. Coletava com antecedência informações sobre o lugar que ia visitar, fazia listas de lugares que tinha que visitar e usava mapas para distribuir atividades entre os dias que disponia. Chegando ao destino, tentava usar todo o tempo disponível para conhecer/experimentar coisas do lugar, desde de manhã até a noite, quando planejava os últimos detalhes do dia seguinte. Fazia notas, tirava fotos, guardava papéis de cada lugar visitado.
Trombo de quando em quando com abstrações involuntárias com as quais me apaixono.

E fantasmas nem tão velhos vem me assombrar.
Tudo isso acabou. Não tenho mais ânimo nenhum de ser o turista eficiente e contumaz que um dia fui. Acho bobagem passar um dia inteiro rodando um museu gigantesco até “conhecê-lo”, mesmo estando enfarado de tanta informação e com os pés cheios de calos. Agora sou um desastre como turista: saio da cidade  sem ter conhecido o famoso X, sem ter comido o famoso Y, sem ter passeado no famoso Z e passo em branco em tudo que é "essencial" para conhecer o tal lugar.  Sou capaz de passar uma tarde inteira lendo num café desconhecido e "desimportante" ou de frequentar durante três dias a mesma rua ou a mesma galeria de lojas mequetrefes no centro da cidade. 
A livraria padrão [poderia ser qualquer
Saraiva/Leitura da vida de qualquer
Xópi brasileiro] proclama sua
canadialidade...


... e trai logo no final da escada rolante trai
sua corporatividade modelo gringo-show
As fotos que eu tiro agora refletem isso. Em parte as minhas fotos são como são hoje porque a orgia de informações visuais na internet faz com que me pareça uma estupidez ficar me acotovelando com 200 pessoas para tirar a zilhonésima foto da praça de São Marcos ou do Corcovado quando uma busca simples no Gúgol me leva a fotos bem melhores. Além disso minhas fotos acabam refletindo o fato de que acabo desperdiçando meu tempo batendo perna e olhando para o chão e as paredes, as placas e pedrinhas que vou encontrando pelo caminho. Além do meu costume, desde dos meus tempos de turista contumaz, de esquecer a máquina no bolso ou na bolsa e acabar não fotografando coisas interessantes que vi pelo caminho.
o sebo Mc Leod's Books valeu a viagem!
Em compensação...


Cada um tem o Redentor
que merece. A presença da
cultura indígena contrasta
vivamente com o apagamento
do vizinho ao sul. 
Apresento assim as fotos da minha última viagem, viagem a trabalho solitária, apesar dos encontros com queridos amigos e colegas de profissão e de palestras interessantes. Vancouver na costa oeste do Canadá, pertinho de Seattle, foi minha segunda incursão nesse simpático e em grande medida desconhecido Canadá. Comi Poutine muito gostoso numa birosca da rua Davie, mas esqueci de fotografar o lugar e o prato. Também não consegui tirar qualquer fotografia das vistas lindas da baía em volta do centro que valesse a pena. 
Alegre família de macunaímas do gelo

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