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Mensagens de ano novo

1. Para quem acha que estudar literatura é inútil eu cito o caso da contadora que denunciou as falcatruas da Enron nos EUA. Formada em literatura e contabilidade ela disse que foi a capacidade de leitura crítica que aprendeu em ciências humanas que a despertou para uma leitura mais desconfiada dos livros de contabilidade da quadrilha de Kenneth Lay.
2. Para quem simplesmente não gosta de poesia eu simplesmente digo: vocês não sabem o que estão perdendo. Há muita poesia horrível no mundo, eu confesso [poemas curtos horríveis são facéis de fazer, principalmente em comparação a um romance horrível, que por mais horrível que seja, leva meses de trabalho de datilografia]. Mas um bom poema é como um bom conto ou um bom romance e talvez até mais - você pode ler um bom livro de poesia em uma tarde e depois ficar relendo e repensando cada poema do livro o resto do ano. Mas poesia a gente deveria sempre ler em conjunto!
3. Para quem não gosta do Brasil: o Brasil está mesmo muito longe de ser uma maravilha, mas isso não quer dizer que o Brasil não tenha muito o que ensinar ao resto do mundo - eles não querem aprender porque o mundo inteiro está ocupado demais copiando os EUA, inclusive nós mesmos. Odiar o Brasil simplesmente não muda nem melhora nada, nem mesmo a capacidade crítica do indivíduo indignado. O que mais nos falta é justamente crítica inteligente...

Comments

Anonymous said…
Putz! Fica bravo não, cara! Eu não disse que não gosto de poesia. Só falei que não entendo. É uma imcapacidade minha.
Abração.
Fiquei bravo nao, Fred! De jeito nenhum! Essa coisa com a poesia nao eh so sua. Eu respeito mas discordo e digo: eh so dar uma chance a poesia. Ainda mais vc que tem uma especialista em casa...

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Contos: "O engraçado arrependido" de Monteiro Lobato

Monteiro Lobato conta em "O engraçado arrependido" a história trágica de um homem que não consegue se livrar do papel de palhaço da cidade, papel que interpretou com maestria durante 32 anos na sua cidade interiorana. Pontes é um artista, um gênio da comédia e por motives de espaço coloco aqui só o miolo da introdução em que o narrador descreve o ser humano como “o animal que ri” e descreve a arte do protagonista: "Em todos os gestos e modos, como no andar, no ler, no comer, nas ações mais triviais da vida, o raio do homem diferençava-se dos demais no sentido de amolecá-los prodigiosamente. E chegou a ponto de que escusava abrir a boca ou esboçar um gesto para que se torcesse em risos a humanidade. Bastava sua presença. Mal o avistavam, já as caras refloriam; se fazia um gesto, espirravam risos; se abria a boca, espigaitavam-se uns, outros afrouxavam os coses, terceiros desabotoavam os coletes. E se entreabria o bico, Nossa Senhora! eram cascalhadas, eram rinchavelhos, e...

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Todas as cartas de amor são Ridículas. Álvaro Campos O Tietê é mais sujo que o ribeirão que corre minha aldeia, mas o Tietê não é mais sujo que o ribeirão que corre minha aldeia porque não corre minha aldeia. Poucos sabem para onde vai e donde vem o ribeirão da minha aldeia, 
 que pertence a menos gente 
 mas nem por isso é mais livre ou menos sujo. O ribeirão da minha aldeia 
 foi sepultado num túmulo de pedra para não ferir os olhos nem molhar os inventários da implacável boa gente da minha aldeia, mas, para aqueles que vêem em tudo o que lá não está, 
 a memória é o que há para além do riberão da minha aldeia e é a fortuna daqueles que a sabem encontrar. Não penso em mais nada na miséria desse inverno gelado estou agora de novo em pé sobre o ribeirão da minha aldeia.

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