Wednesday, March 06, 2013

Escavando notas: Machado Engajado e o México Ocupado - Parte 1


Maximiliano era primo de D. Pedro, o que não significa muita coisa. Afinal todo nobre europeu é primo! Felizmente o Brasil não se entusiasmou nada com a aventura do primo nas costas das tropas francesas.
Um leitor que assina “Amigo da Verdade” escreve ao jornal criticando a crônica de Machado de Assis condenando a invasão do México por tropas francesas para instalar no poder o Arqueduque austríaco Maximiliano como Imperador do México no dia 21 de fevereiro de 1865 [Correspondencia 89-93]

No dia 21 de março Machado responde. Destaco algumas passagens particularmente felizes:

“… o Amigo da Verdade, referindo algumas frases nossas da revista de 21 do passado, repara que houvéssemos estranhado no discurso do Sr. D. Pedro Escandón [enviado diplomático do regime de Maximiliano] as expressões – recíprocos interesses – entre os dois impérios, – e a identificação de governo – entre os dois países.
 Nossa resposta é simples.
[…]
Em nossa opinião o império do México é um filho da força e uma sucursal do império francês. Que reciprocidade de interesses podia haver entre ele e o império do Brasil, que é o resultado exclusivo da vontade nacional?
[…]
A justiça universal e o espírito americano protestam contra a reciprocidade desses interesses entre os dois impérios.
[…]
… o Brasil não pode ter comunhão de interesses nem de perigos, com o México, porque a sua origem é legítima, e o seu espírito é, antes de tudo, americano.” [94-5]

No final da resposta de Machado encontro este trecho particularmente interessante, particularmente relevante para o ambiente cultural de hoje em dia, na minha opinião:

“Há homens que da simples contradita do adversário concluem pela incompetência dele. As amizades, na vida comum, os partidos, na vida política, nunca deixaram de sofrer com a existência desses homens, para os quais só a convicção própria pode reunir a ilustração, a verdade e a justiça.”
Crônica de 21/3/1865
Correspondência de Machado de Assis – Tomo I, 96

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