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Poesia minha: A paz do momento

Foto Minha: Acordando com a primavera

A paz do momento

Por baixo da casca
folhada de gelo
as águas escuras
assentam o limo
nas pedras do fundo.

Em profundo silêncio
o nada conspira
contra a paz do momento.

No jardim devastado
do fim do outono
enterrei uma dúzia
de tulipas e lírios.
Dormem em silêncio
o inverno inteiro
até o primeiro degelo.

Depois da tempestade
juntei e cortei sozinho
todos os galhos quebrados.
Queimei-os na lareira da sala,
deixei que as cinzas esfriassem,
juntei as cinzas num saco
e levei de volta ao jardim.

Cortei meu dedo,
o sangue açucara
por cima do corte
onde dorme a cicatriz
fresca no casulo.

Salpicadas aos poucos
as cinzas flutuam
no espelho d’água
um instante antes
de se dissolver.

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