Friday, July 04, 2014

Passado e presente, vida e arte no Grande Sertão: Veredas [parte 2]


Seo Habão reduzia a gente miserável à sua volta e queria reduzir os jagunços do bando de Riobaldo.

Giovani de Deus Borges não é capitão diplomado a guarda nacional, mas sim engenheiro civil e mora em na rica Patos de Minas, onde o pai dele José Bernardino Borges Sobrinho [conhecido por Seo Zizi], dono de seis lojas na cidade e um site curioso que tentar dar a um comércio com o nome do apelido do dono um ar modernoso e diz, entre outras coisas, que o “Grupo Zizi” tem como “características principais e diferenciais, a tradição na cidade de Patos de Minas e o bom atendimento.”


O Ministério Público Federal descobriu que Giovani de Deus Borges reduziu a condições análogas à de escravooito carvoeiros [que produzem o carvão que esquenta aquele nosso churrasquinho de fim de semana] à escravidão em uma fazenda perto de São Romão, que fica na margem oeste do São Francisco. Habão via em tudo e todos à sua volta arrobas de cana de açúcar, milho, arroz e feijão; o filho do Seo Zizi trata  de encher os bolsos com carvão vegetal que qualquer um que conheça as imensas "florestas" de eucalipto que se espalham pela região percebe ser onde o dinheiro está. Conversei há muitos anos com um fazendeiro mineiro que me disse que plantio nenhum batia os lucros do eucalipto. Na verdade o eucalipto é o atestado de que o norte de minas continua a ser uma periferia da periferia, uma região que vive em função de outras funções relativamente periféricas no Brasil, por sua vez periférico também. 

Os tempos são outros e ao mesmo tempo não são. 

O ministério público fez a denúncia e o fazendeiro consta da lista negra da escravidão [também conhecida como lista de amigos da Kátia Abreu], mas parece que “Seo Giovani” arrendou as terras em questão a um "motorista de profissão" [os motoristas e pilotos mineiros são capazes de coisas incríveis e o piloto de helicóptero dos Perella não me deixa mentir] de nome Fabrício Cardoso Lino em troca de 10% do rendimento do empreendimento e Fabrício que disse, arremedando mal e porcamente um Zé Bebelo de quinta, que “não sabia que fornecer aquele tipo de alojamento para trabalhadores, sem banheiro, água potável, local para armazenar alimentos, era inadequado”.

[continua amanhã]

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