Saturday, October 25, 2014

13 anos e um trilhão de dólares

Antes que se comece a falar em intervenções americanas “mais robustas” na Síria, vale a pena dar uma olhada no resultado de 1 trilhão de dólares, um milhão de soldados enviados e treze anos de presença dos Estados Unidos no Afganistão.

resenha recente no New York Review of Books de No Good Men Among the Living: America, the Taliban, and the War Through Afghan EyesDescription: http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=thneyoreofbo-20&l=as2&o=1&a=0805091793 um livro devastador do jornalista Anand Gopal, recém publicado nos EUA, serve ao propósito.

O mesmo sistema de financiar chefes de milícia e líderes tribais está sendo praticado de novo agora na Síria e no Iraque. No Afeganistão essa gente ficou rica com contratos milionários, usa o rótulo de terrorismo para perseguir inimigos e rivais e para aterrorizar as populações locais. Um exemplo do “líder” que essa política produz é o atual vice-presidente do Afganistão, um certo Abdul Rashid Dostum, com ligações com o crime organizado, a CIA, o serviço de inteligência do Paquistão e traficantes internacionais e ampla participação em esquemas ligados a empresas de construção, empresas de segurança privadas, especulação imobiliária e a exportação de petróleo e ópio, além é claro dos esquemas de suporte logístico aos estrangeiros ocupando o seu país. O apoio estadounidense transformou o encanador e empregado de refinaria dos anos 80 num homem riquíssimo e poderoso, e se a mídia do país insiste que o governo dos EUA agora não quer nada com ele, o sujeito ganha um salário de 70.000 dólares por mês da CIA para viver no exílio, dá uma banana para eles e volta ao país para ser vice-presidente. Entre histórias mais infames do sujeito, o fato de ter gasto 100.000 dólares num cachorro para brigas e ter cozinhado até a morte centenas de prisioneiros do Talibã em containers de transporte de carga.

Agências de ajuda jogam bilhões no orçamento do governo do Afganistão falando em “prestação de contas” e “legitimidade” do estado. A burocracia nacional paga um monte de funcionários que nem fingem trabalhar e o trabalho em regulação, coleta de impostos e encomendas administrativas são fontes de nepotismo, vingança ou subornos. O tal estado Afegão não é apenas fraco; frequentemente ele simplesmente não existe. Numa das províncias “pacificadas” [Ghor] 3.200 dos 4.000 professores não têm qualquer qualificação – muitos são analfabetos – e 80% das 740 escolas simplesmente não funciona.





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