Tuesday, May 21, 2013

O Haiti e o lindo espetáculo do sentimentalismo Bono Clinton

 
--> The Big Truck That Went By de Jonathan Katz faz o que quase nenhum jornalista tem feito com relação ao Haiti após o terremoto: vai além do que se apresenta aos repórteres nas elegantes noites de lançamentos de projetos de Bono e cia.  

1. Em março de 2010 prometem com pompa e circunstância enviar nada menos que 8.4 bilhões de dólares para o Haiti. 

2. Naquele ano "chegaram"  $2.43 bilhões a um país com 10.12 milhões de habitantes. O suficiente dava para dar a cada haitiano, cuja renda per capita é de 480 dólares, 240 mil dólares naquele ano!

3. 6% do dinheiro literalmente sumiu; ninguém sabe, ninguém viu. 

4.  1% do dinheiro ($24 million) foi para o governo do Haiti.

5. Todo o resto foi para agências/organizações dos países que doaram a grana e para as Nações Unidas. Ninguém do Haiti tinha qualquer voz na decisão sobre como gastar o dinheiro e o plano ignorava a necessidade de mais de um milhão de casas para pessoas desalojadas pelo terremoto.

6. Meio bilhão (mais ou menos um quinto do dinheiro) foi para um ralo de dinheiro chamado departamento de defesa dos Estados Unidos, que gastou um milhão POR DIA com a manutenção de um de seus navios na baía de Port-au-Prince; $3.6 milhões com manutenção dos helicópteros da marinha e um monte de coisas bizarras do tipo: $194,000 com equipamento audio-visual comprado de uma loja em Manhattan e $18,000 num playground para crianças que custa menos de $6000 online, além de MILHARES de acessórios de cozinha! A Guarda Costeira americana, por exemplo, gastou $4462 com um aparelho para fazer frituras, desses que fazem batatas fritas bem do jeito que tem que ser feitas.

7. As Nações Unidas fizeram o favor de alojar tão mal e porcamente às tropas que ocuparam o Haiti que além de tudo causaram milhares de morte trazendo uma epidemia de cólera. Pelo menos 8.000 haitianos morreram não por causa do terremoto mas por causa de tanta "ajuda" e a ONU sequer admite sua [ir]responsabilidade. 

Arte Minha: desenho sobre ficha de biblioteca descartada


Completo meu post simplesmente reproduzindo a série de twits do escritor Teju Cole em reação à campanha StopKony:

1- From Sachs to Kristof to Invisible Children to TED, the fastest growth industry in the US is the White Savior Industrial Complex.
2- The white savior supports brutal policies in the morning, founds charities in the afternoon, and receives awards in the evening.
3- The banality of evil transmutes into the banality of sentimentality. The world is nothing but a problem to be solved by enthusiasm.
4- This world exists simply to satisfy the needs—including, importantly, the sentimental needs—of white people and Oprah.
5- The White Savior Industrial Complex is not about justice. It is about having a big emotional experience that validates privilege.
6- Feverish worry over that awful African warlord. But close to 1.5 million Iraqis died from an American war of choice. Worry about that.
7- I deeply respect American sentimentality, the way one respects a wounded hippo. You must keep an eye on it, for you know it is deadly.




 

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